SOBRE VOCÊS É CONTADA A POESIA...



Sedento

22 de março de 2013


















Mundo mundo vasto mundo

se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

—Drummond de Andrade



Não há explicação definitiva para a sede de mundo que carrego no âmago de minha juventude. A inquietude é traço pessoal: sempre busquei escapar dos grilhões de uma rotina que insiste em fixar-me em território determinado. Mudança é a única constante.
Há quem diga que me falte uma vontade deliberada de criar laços, sejam eles familiares, de amizade, quiçá de amor. A verdade é que optei por sobrepor-me a toda e qualquer barreira capaz de obstaculizar o livre movimento dos pés.

A realidade posta preza por despotismo. O comportamento é condicionado pelo capital. A satisfação das necessidades básicas é suplantada pela busca incessante do lucro, em formas cada vez mais ampliadas de reprodução das convenções sociais.
Onde foram parar a subjetividade, as experiências e os conflitos únicos de cada indivíduo? Colocaram tudo dentro de um saco e amarram com as cordas da opressão. E será a vida um fato consumado? Entendo que não. A consciência, descobri, é a autonomia para cuidar do destino, escolhendo os caminhos da vida.

No exercício de um idealismo voluntário, sou proprietário de sonhos que escapam da esfera privada. Almejo a mudança das coisas. Não uma transformação provocada pelo movimento mecânico do devir, mas algo ao qual não posso definir com precisão. Como denominar a emancipação ampliada do ser humano? Como dar nome a um fenômeno que esgota a si mesmo? Talvez seja esse transbordamento de ideais para além das fronteiras do ser a justificativa aceitável para o meu anseio de mundo.

Navegar é preciso, por isso brado: 
“Mundo, vasto mundo, recebe os sonhos do teu visitante”.




Felipe Nogueira.

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