SOBRE VOCÊS É CONTADA A POESIA...



Desvio

10 de abril de 2011
A última coisa que senti foi a queda
E no segundo seguinte era um anjo
Voando sob trincheiras rasgando o solo
e o peito dos combatentes

A solidez sofreu abalos sísmicos
de magnitude tão intensa
que mudança era a nova ordem
A geração dos heróis fora, enfim, solapada

Do muro edificado com cimento-tradição, tijolos-dogmas
(verdades deveras frágeis)
Avistei apenas destroços
cujas cinzas reluziam incertezas

Duas opções,
(reproduzindo o clássico modelo maniqueísta):
Voar em direção a mais alta nuvem ou
Rasgar o par de asas com mãos sedentas de desejo

A tempestade brusca e repentina
foi mais veloz que a escolha do intelecto
Derrubando-me face outra realidade
tão distante da vida solidificada durante todo o tempo

Sinto frio agora


Felipe Nogueira

Lacuna

2 de abril de 2011
Não te encontro sentado a esmo nos bancos escuros
O que me resta são murmúrios,
e descubro que os caminhos não são seguros


Não te vejo perdido nos becos de esquinas
Nem tampouco na musicalidade das cantigas latinas,
no ingênuo caminhar das bailarinas


Não sinto tua presença num livro de aventura
Culpo sem razão o descompasso da literatura,
Em que página esconderam a ternura?

Experimento a falta do teu olhar misterioso
Só posso enxergar um campo belicoso,
repleto de trincheiras com dimensões do contencioso

É quando a rotina me prende entre seus muros
que tua ausência me persegue em cada movimento absurdo
O que reserva-nos o futuro?


Felipe Nogueira