Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
—Drummond de Andrade
Não há explicação definitiva para a sede de mundo que carrego no âmago de minha juventude. A inquietude é traço pessoal: sempre busquei escapar dos grilhões de
uma rotina que insiste em fixar-me em território determinado. Mudança é a única
constante.
Há quem diga que
me falte uma vontade deliberada de criar laços, sejam eles familiares, de
amizade, quiçá de amor. A verdade é que optei por sobrepor-me a toda e qualquer
barreira capaz de obstaculizar o livre movimento dos pés.
A realidade
posta preza por despotismo. O comportamento é condicionado pelo capital. A satisfação
das necessidades básicas é suplantada pela busca incessante do lucro, em formas
cada vez mais ampliadas de reprodução das convenções sociais.
Onde foram parar
a subjetividade, as experiências e os conflitos únicos de cada indivíduo?
Colocaram tudo dentro de um saco e amarram com as cordas da opressão. E será a
vida um fato consumado? Entendo que não. A consciência, descobri, é a autonomia
para cuidar do destino, escolhendo os caminhos da vida.
No exercício de
um idealismo voluntário, sou proprietário de sonhos que escapam da esfera
privada. Almejo a mudança das coisas. Não uma transformação provocada pelo
movimento mecânico do devir, mas algo
ao qual não posso definir com precisão. Como denominar a emancipação ampliada
do ser humano? Como dar nome a um fenômeno que esgota a si mesmo? Talvez seja esse
transbordamento de ideais para além das fronteiras do ser a justificativa
aceitável para o meu anseio de mundo.
Navegar é
preciso, por isso brado:
“Mundo, vasto mundo, recebe os sonhos do teu
visitante”.
Felipe Nogueira.


