No atual estado das coisas,
já cansado de convencionalismos,
desconfio de tudo aquilo que materializa vil submissão
Prezo pela ascendência dos bons ofícios
práticas revoltas de libertação
Arrepio
face aos desencontros literários
planejados pelo poeta aprendiz
compromissado com a arte de traduzir em diários as emoções civis
Sinto frio
quando, atento aos afagos do músico,
suas notas reciclam os passos das bailarinas
e ressaltam o sabor cáustico
dos ventos nas campinas
Teço o fio
do laço do cabelo da menina
que, com ingenuidade genuína,
sorri das trapaças disfarçadas do palhaço
Aprecio
os holofotes que, na diversidade de palcos
iluminam a vida de seres que, mortais como eu
e movidos pela mesma paixão teatral,
fazem de suas vidas um espetáculo
Eis que assim
anuncio uma viagem pela exteriorização da dominação
Sedento por cenários, personagens, sons, palavras
que transformem-me no “eu lírico” almejado
Sem mais para o momento
Felipe Nogueira

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